POLÍTICOS DE ABADIÂNIA ACIONAM JUSTIÇA PARA RECEBER MAIS DE R$ 2 MILHÕES EM SALÁRIOS RETROATIVOS

Um processo em tramitação na Justiça tem movimentado a política de Abadiânia, cidade a 36 km de Anápolis. Dez políticos, entre eles o ex-vice-prefeito e atual vereador Bosquinho Arantes (União), pedem o pagamento de mais de R$ 2,1 milhões referentes à diferença de salários reduzidos entre 2021 e 2024.

Na época, a Lei Municipal nº 884/2020 diminuiu os vencimentos dos vereadores de R$ 6.086,98 para R$ 3.043,49, e o do vice-prefeito de R$ 8.759,93 para o mesmo valor. A medida foi aprovada após forte mobilização popular, que exigia redução dos gastos públicos. Agora, parte dos beneficiados pela decisão quer anular a lei, alegando vício de iniciativa e violação de princípios legais. Como explicar essa mudança de postura diante de uma lei que muitos ajudaram a aprovar?

Entre os pedidos, além do pagamento retroativo com juros e correção, os políticos também solicitaram justiça gratuita, alegando não ter condições de arcar com custas processuais sem comprometer o próprio sustento. A solicitação causa estranheza diante dos atuais salários: hoje, os vereadores recebem mais de R$ 8 mil e o vice-prefeito cerca de R$ 12 mil mensais, segundo o Portal da Transparência.

O processo, que tem valor de causa de R$ 2.170.468,06, ainda está em análise, e a Prefeitura de Abadiânia deverá apresentar defesa. Enquanto isso, a população se pergunta: quem deve prevalecer, a voz das urnas e da mobilização popular ou os interesses dos próprios parlamentares?

A lista dos políticos envolvidos inclui Rodrigo Belém (PRD), Nenem Trajano (União), Nilton Trajano (PP), Renato da Auto Escola (PL), Bosquinho Arantes (União), Samuel Alberto, Vando da Saúde, Kamila Borges, Vaney da Cerâmica e Jenair da Borracharia. O desfecho dessa ação pode se tornar um divisor de águas na relação entre representantes e representados em Abadiânia.