ABADIÂNIA VELHA E NOVA: DUAS HISTÓRIAS, UM MESMO CORAÇÃO GOIANO

No coração do sudeste goiano, Abadiânia abriga uma história dividida entre dois mundos que coexistem dentro do mesmo município: Abadiânia Velha e Abadiânia Nova. Segundo estimativas do IBGE de 2024, são cerca de 17.638 habitantes vivendo em uma cidade que preserva o passado e, ao mesmo tempo, se projeta para o futuro.

A origem remonta a 1874, quando o povoado de Posse, hoje conhecido como Abadiânia Velha, nasceu da fé em Nossa Senhora da Abadia, liderada por Dona Emerenciana, figura central nas novenas e romarias da época. O crescimento do vilarejo levou à criação do distrito de Abadiânia em 1943, e, dez anos depois, à sua emancipação política.

A grande virada ocorreu nos anos 1960, quando, com a construção da BR-060, a administração municipal decidiu transferir a sede para as margens da rodovia. A mudança foi oficializada pela Lei Municipal nº 11, de 3 de agosto de 1960, e concretizada em 15 de setembro de 1963. A antiga sede tornou-se novamente distrito, com o nome de Posse d’Abadia, embora seja mais conhecida até hoje como Abadiânia Velha.

Hoje, as duas partes seguem caminhos diferentes, mas complementares. Abadiânia Nova é o centro administrativo e comercial, atraindo turistas e empreendedores, com pousadas, hotéis e o acesso privilegiado ao Lago Corumbá IV. Já Abadiânia Velha preserva o encanto da simplicidade: ruas de terra, casarões antigos e histórias contadas pelos poucos moradores que ainda resistem — estima-se menos de 600 habitantes.

Enquanto a “Nova” pulsa com movimento e desenvolvimento, a “Velha” respira tradição, fé e memória. Juntas, elas formam um retrato único de Goiás: um lugar onde o tempo corre em dois ritmos, mas o sentimento de pertencimento permanece o mesmo — o orgulho de ser abadianiense.